por daniel bosi
Um ano antes daquele em que o mundo acabaria, Inverno sonhou que seria o construtor do próximo Taj Mahal. Seria um grande edifício com traços orientais, ocidentais e horizontais, pois não seria uma torre.
Arranjaria um laptop e um violão e faria um poema gigante, uma epopéia talvez. Escritos que serviriam de esboço para uma construção tão Taj Mahalmente majestosa. Cada parede seria um verso daquele poemaço. Decidiu que o tema seria “A nova aventura na lua”.
Uma saraivada de grandes coisas caiu sobre a face da lua:
E ela que lá de cima seria o cume duma orgia,
No solo um toca disco arranhava a mesma nota
Música sem gravidade, numa surda melodia
Para ver o que não era estrela morta.
Quando cheguei à lua, vi que havia crateras já batizadas
A maioria com nomes de cientistas famosos
lagos secos e praias não mais ensolaradas,
Mas eu queria pôr nomes novos.
