o lado torto das coisas

escritos do nada … sincericídios

Em Uncategorized, fevereiro 9, 2012 às 7:39 pm

escritos do nada ... sincericídios

por tatá aeroplano

Escrever em posição de Lótus abre um canal afetivo para as práticas vindas do céu. Penso na menina que sorria com os olhos e dançava escondida no cômodo mais escuro da casa e passo a andar de trás pra frente apertando um pequeno cigarro para aplacar a alma.

A idéia do beatle amarelo foi pro brejo. Só as canções me transportam nesse momento. Volto acelerado para a auto existência impraticável dos prazeres carnais e um coro de mandíbulas psicodélicas aderem ao festival messiânico dos touros sem terra.

Uma parte de mim quer você … outra parte que eu me atire … a outra pede passagem pra eu poder fazer as duas coisas … e a outra …. bem, a outra chora.

Pronto pra levar a sério o anti plano do altiplano submerso em narinas coloridas como foi no sonho do Abraão com Maomé. Faltou palavra. Sobrou orgasmo.

A idéia fixa de escrever me traz um fluxo incontrolável de veracidade aos fatos … que o santo júpiter me ajude a não proceder concomitantemente com o Ariel Pink’s. Nas ruas cães corroem as ventas dos que não usam chapéus.

No dia que eu perdi a primeira vez … não entendi a falta … não entendi a ausência … não entendi que isso seria constante … seria initerrupto … em série … avalanches … torrentes … até me perder … perder-me e me ver nas lágrimas dos amores expressos que por mim tinham o mínimo de apreço.

Compenso com pregos meu complexo de Édipo. Botei uma coroa de avencas e assustei as crianças na fila de embarque do aeroporto em Madri. Estava com doses pesadas de MDMA na mente, estava querendo brincar até que uma criança me delatou pros pais bem na hora que minha língua lascivamente estava a mostra. A mãe da criança gostou. Me chamou num canto e pediu pra eu cantar “A Internacional – Versão Maia 2012”. O mundo acabou.

Cansei dos filmes noturnos. Agora cine só de tarde, por favor, duas sessões, duas doses e de noite eu sou do submundo, sou doentio, sou a raposa que baixa nas melhores das intenções, nas melhores mesmo. Se eu te levar pra cama. Sorte nossa.

Fluo como jorro latente de quem habitualmente não pratica atos libidinosos. Ando sempre com duas certidões: nascimento e permanência na terra por tempo indeterminado. O delegado dos casais abstêmios me trouxe um par de algemas confeccionadas com algodão doce e me disse: antes de chupar adicione clausura.

Noite. Tenso. Vozes noturnas me detêm em pensamentos ausentes. A garota agora se encontra no canto esquerdo da minha mente. Ela está despida de pudores e canta uma música que eu não gosto mais. Permaneço com ela fixa nos pensamentos mas jamais vou tirá-la para dançar novamente.

Uma puta dor de nada ao invés de um dia qualquer. Subi a ladeira forrada com pérolas azuis e encontrei um avião de água. Ele não voava … chorava letras de um alfabeto concreto … agarrei meu cetro numa forma inexistente e tentei me comunicar com ela … só senti um grito de leve na minha nuca … levantei depois de muitos dias e eu já não era mais o que pretendia.

Na rua de terra uma platéia atira espingardas no palhaço que veste Prada. Ele canta … ele sapateia … ele tira da cartola um manual prático de como deixar a terra instantaneamente … cata uma espingarda e se sodomiza de baixo para cima.

Alguém tem que botar fim nessa loucura. Não consigo mais parar de escrever … não consigo mais parar de usar esses filhos da puta malditos TRÊS pontinhos do caralho … olha eles … esses filhos da puta … esses arremedos do desastre… serão os TRÊS magos moídos… serão os TRÊS porquinhos difamados … prefiro que sejam TRÊS sereias bem passadas!!!…

Baixou a poeira da insanidade bem na hora que uma musiquinha lenta começou a tocar. Me reporto aos idos dos ointenta onde passava as madrugadas caçando musicas nas rádios do interior. Depois de vinte anos. Continuo freqüentando as madrugadas … mas as rádios saíram de cena e deram lugar a putaria desenfreada de um folião de segunda categoria.

Acho melhor me retirar agora. Vou ver se encontro algum conforto dentro da minha cabeça … talvez o único lugar que eu possa ir sem machucar muito um desprevenido ser que encontre o gancho da história na fonte instaurada da subversão medieval.

peso

Em Uncategorized, julho 28, 2011 às 1:18 pm

por verônica machado

O peso no ar, no corpo, na carne… o peso no olhar

A fome que some, sem avisar, sem nome

De repente chega

Surge sempre sem controle, sem avisar, somente nasce… semente

Que brota sem que eu queira, no peito

Não tente sugar a dor, sugando a carne e o fôlego… não tente

Não adianta, ela adormece, mas acorda sempre… ela vive

Assim é.

música sem gravidade e o batismo de crateras

Em Uncategorized, junho 28, 2011 às 4:04 pm

por daniel bosi

Um ano antes daquele em que o mundo acabaria, Inverno sonhou que seria o construtor do próximo Taj Mahal. Seria um grande edifício com traços orientais, ocidentais e horizontais, pois não seria uma torre.

Arranjaria um laptop e um violão e faria um poema gigante, uma epopéia talvez. Escritos que serviriam de esboço para uma construção tão Taj Mahalmente majestosa. Cada parede seria um verso daquele poemaço. Decidiu que o tema seria “A nova aventura na lua”.

Uma saraivada de grandes coisas caiu sobre a face da lua:

E ela que lá de cima seria o cume duma orgia,

No solo um toca disco arranhava a mesma nota

Música sem gravidade, numa surda melodia

Para ver o que não era estrela morta.

Quando cheguei à lua, vi que havia crateras já batizadas

A maioria com nomes de cientistas famosos

lagos secos e praias não mais ensolaradas,

Mas eu queria pôr nomes novos.

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