o lado torto das coisas

peso

Em Uncategorized, julho 28, 2011 às 1:18 pm

por verônica machado

O peso no ar, no corpo, na carne… o peso no olhar

A fome que some, sem avisar, sem nome

De repente chega

Surge sempre sem controle, sem avisar, somente nasce… semente

Que brota sem que eu queira, no peito

Não tente sugar a dor, sugando a carne e o fôlego… não tente

Não adianta, ela adormece, mas acorda sempre… ela vive

Assim é.

música sem gravidade e o batismo de crateras

Em Uncategorized, junho 28, 2011 às 4:04 pm

por daniel bosi

Um ano antes daquele em que o mundo acabaria, Inverno sonhou que seria o construtor do próximo Taj Mahal. Seria um grande edifício com traços orientais, ocidentais e horizontais, pois não seria uma torre.

Arranjaria um laptop e um violão e faria um poema gigante, uma epopéia talvez. Escritos que serviriam de esboço para uma construção tão Taj Mahalmente majestosa. Cada parede seria um verso daquele poemaço. Decidiu que o tema seria “A nova aventura na lua”.

Uma saraivada de grandes coisas caiu sobre a face da lua:

E ela que lá de cima seria o cume duma orgia,

No solo um toca disco arranhava a mesma nota

Música sem gravidade, numa surda melodia

Para ver o que não era estrela morta.

Quando cheguei à lua, vi que havia crateras já batizadas

A maioria com nomes de cientistas famosos

lagos secos e praias não mais ensolaradas,

Mas eu queria pôr nomes novos.

um homem teima em não escrever suas diáfanas impressões sobre pequenas coisas que profundamente o satisfazem

Em Uncategorized, junho 14, 2011 às 9:47 pm

por george saraiva

Um homem teima em não escrever suas diáfanas impressões sobre pequenas
coisas que profundamente o satisfazem. Não percebe que abster-se da luta o
liquida ainda mais; provavelmente a vida ainda apresentar-se-á mais clara do
que supunha ou ainda estará triste o suficiente para não lhe compreender as
variações.

A alegação é de que nada valerá à pena, pois se apercebeu da pequenez
das coisas. Intimamente, a própria vida não lhe revelou muitos segredos, uma
vez que não sabe querer aventurar-se; portanto, respeitáveis angustias o
acometem.

O momento é de clara sabedoria, mas voluntariamente ou não, evita causar
discórdia entre uma filosofia bem formulada e uns poucos momentos de
instintivo experimento; a aparência do homem incomoda seu raciocínio já lento
de batalhas travadas numa juventude saudosa.

Ou a velhice vindoura empurra-o abismo abaixo? Preferir calar-se ou alimentar
um débil desapego destravaria portas inacessíveis por chaves conhecidas,
mesmo um ensaio seria agora de grande valia para mentes menos despertas;
o ato inglório de empunhar mecanismos criativos perante folhas brancas
configura-se sacrifício imenso, este homem ainda não compreende a rotina
sagrada do tempo.

Reescrever a história apresenta-se demasiado injusto, não por sentir-se
cômico ou trágico perante fatos que poderia alterar fossem quais fossem
suas necessidades mais essenciais, um mar revolto apresentaria mais fácil
navegação.

Este homem possui um dever mais sensato perante seus pares: determinar
o rumo das coisas, condizente com tal espírito faria ao menos com que
semblantes cabisbaixos tornem a comprazerem-se. E isto faria sentido por
algumas horas de glória sem o espasmo dos grandes lumes históricos, ao
menos, compreendido em seu tempo, de certa forma útil.

A conveniência é o fim último da vida.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.