
por george saraiva
Um homem teima em não escrever suas diáfanas impressões sobre pequenas
coisas que profundamente o satisfazem. Não percebe que abster-se da luta o
liquida ainda mais; provavelmente a vida ainda apresentar-se-á mais clara do
que supunha ou ainda estará triste o suficiente para não lhe compreender as
variações.
A alegação é de que nada valerá à pena, pois se apercebeu da pequenez
das coisas. Intimamente, a própria vida não lhe revelou muitos segredos, uma
vez que não sabe querer aventurar-se; portanto, respeitáveis angustias o
acometem.
O momento é de clara sabedoria, mas voluntariamente ou não, evita causar
discórdia entre uma filosofia bem formulada e uns poucos momentos de
instintivo experimento; a aparência do homem incomoda seu raciocínio já lento
de batalhas travadas numa juventude saudosa.
Ou a velhice vindoura empurra-o abismo abaixo? Preferir calar-se ou alimentar
um débil desapego destravaria portas inacessíveis por chaves conhecidas,
mesmo um ensaio seria agora de grande valia para mentes menos despertas;
o ato inglório de empunhar mecanismos criativos perante folhas brancas
configura-se sacrifício imenso, este homem ainda não compreende a rotina
sagrada do tempo.
Reescrever a história apresenta-se demasiado injusto, não por sentir-se
cômico ou trágico perante fatos que poderia alterar fossem quais fossem
suas necessidades mais essenciais, um mar revolto apresentaria mais fácil
navegação.
Este homem possui um dever mais sensato perante seus pares: determinar
o rumo das coisas, condizente com tal espírito faria ao menos com que
semblantes cabisbaixos tornem a comprazerem-se. E isto faria sentido por
algumas horas de glória sem o espasmo dos grandes lumes históricos, ao
menos, compreendido em seu tempo, de certa forma útil.
A conveniência é o fim último da vida.